ESCREVER É DIVINO!

ESCREVER É DIVINO!
BONS TEMPOS EM QUE A GENTE PODIA VOAR. ERA MUITO BOM SER PASSARINHO.

CAMINHOS DE UM POETA

CAMINHOS DE UM POETA
Como é bom, rejuvenescedor e incentivador para o poeta, poder olhar para trás e ver toda a sua caminhada literária, lembrar das dificuldades, dos incentivos e da falta deles, da solidão de ser poeta e do diferencial que é ser poeta. Olhar para trás e ver tudo que semeou, ver uma estrada florida de poesias, e dizer: VALEU A PENA! O poeta vai vivendo, ponteando, oscilando, e nem se dá conta da bela estrada que escreveu. Talvez ele não tenha tempo porque o horizonte o chama, e o seu norte é... escrever... escrever... escrever. Olho hoje para trás... não foi fácil, mas também ninguém disse que seria. E eu sabia que não seria, ser poeta não é fácil, embora seja lindo. Contemplo a estrada que eu fiz, e digo com orgulho quase narcisista: Puxa... como é linda minha estrada!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

OS BEBÊS QUE MORREM VIRAM ANJOS!


( Confesso que fiz este texto chorando )
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Há poucos dias tivemos dois casos comoventes de crianças que nos deixaram, os bebês Charlie da Inglaterra e Arthur do Brasil, um por doença rara, outro por bala perdida. Sobre a doença rara não vou me alongar, foge à compreensão humana, tampouco vou discutir sobre eutanásia, isso demanda um outro texto, envolve opiniões, religiões, debates e etc. Quero destacar o bebê brasileiro. O lugar mais seguro para um bebê é a barriga da mãe, por ele, ele ficaria lá dentro para sempre, dentro dessa bolha de amor protetora ele recebe em conexão direta, amor materno, água, oxigênio, alimentação, enfim toda a segurança e confiança que uma mãe pode dar. Isso também foge à compreensão humana, mas por ser uma ligação espiritual, cósmica, divina. O primeiro trauma na vida de uma pessoa é quando ela sai do ventre para o mundo, há um impacto, um choque, o bebê já não se sente mais tão seguro, mesmo a mãe estando ali transmitindo os primeiros carinhos físicos; ele sabe que não é a mesma coisa, parece que pressente o perigo de ter nascido. No entanto, Arthur não estava seguro nem na barriga da mãe; num triste dia, lá dentro ele sentiu um baque na coluna cervical, era a bala... essa cena eu visualizo assim: Ele deve ter pensado: “Que é isso? Isso não veio de minha mãe, minha mãe só me dá coisas boas, isso que senti agora é um coisa ruim”. O que se passou nos dias seguintes, já em coma, só Deus, ele e os Anjos sabem, mas acredito que ele não sentiu dor, Deus não deixa, os Anjos estavam ali o tempo todo, absorvendo qualquer dor que ele pudesse sentir. Independente disso eu creio que morrer não dói, na hora da passagem acontece uma força que nos anestesia, e a gente vai para o outro lado. Como eu sei disso? Não sei. Mas sei que sei. Já ouvi tantas vezes na vida essa pergunta, desde menino (as professoras principalmente, piravam rs rs), sobre coisas que eu dizia sem ter idade para tal, e respondia como agora: ‘Não sei. Mas sei que sei’. A redundância é proposital. Retomando, sobre a dor, viver é que dói, quando a gente assiste algumas cenas. Há muito o que se pensar sobre este mundo. É claro que a gente fica comovido, principalmente pelas mães, mas pelos bebês eu digo que fico feliz por eles, por não terem pisado neste mundo, acho que são uns felizardos por terem ido embora para junto de Deus, antes que o mundo lhes corrompesse. Crianças quando morrem viram anjos, porque são puras, e isso também dói, saber que um dia também fomos bebês puros. Este mundo já está bom é de acabar. ‘Que é isso, Carlos? Está revoltado? Logo um poeta dizer isso? ’... alguém certamente dirá. Eu sou um eterno otimista, mas tem hora que a gente fraqueja, a gente não é de pedra. Sei que existem pessoas boas no mundo, eu também me acho boa pessoa, mas sei que existem pessoas infinitamente melhores que eu, talvez por elas Deus ainda mantenha este mundo em pé. Às mães que perderam seus bebês eu consolo dizendo que não perderam, voltaram para o lugar de onde vieram: O COLO DE DEUS!
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( imagem descobrindotesouros-wordpress.com )

sexta-feira, 28 de julho de 2017

ORQUÍDEA NEGRA - ZÉ RAMALHO.



HOMENAGEM AO " NOSSO " PRESIDENTE, E À SOCIEDADE SECRETA DA QUAL ELE FAZ PARTE.

terça-feira, 25 de julho de 2017

AO DIA DO ESCRITOR!

 
Obrigado pela parte que me toca. Felizmente a parte que me toca, também é a parte que toca vocês, leitores.
 
Parabéns e abraços aos amigos(as) blogueiros(as), escritores enfim, que acreditam
nessa magia, trazendo para esse mundo, um outro mundo de possibilidades. Um mundo do qual orgulhosamente faço parte, e assim será por toda  a minha vida.

sábado, 22 de julho de 2017

CUIDADO COM OS APEGOS... E DESAPEGOS!


Muito se fala em desapego por aí. Existem vários tipos de desapegos que acabam causando um desapego pior, que é o desapego de nós mesmos, quando deixamos de ser sensíveis, humanos enfim, razão pela qual Deus nos criou. Sim, viemos à terra, ganhamos um planeta emprestado (isso aqui não é nosso), para amar, ser amados, e brilhar. Falando dos desapegos, o primeiro é o das coisas materiais, do dinheiro, da ideia de que para ser feliz, é preciso chegar primeiro na grande corrida, na concorrência, na lei da selva. Somos treinados desde crianças a devorar, a derrotar, não aprendemos a caminhar junto com o outro, temos que sempre chegar na frente. É claro que nos negócios, no trabalho, na escola, temos que buscar o melhor, todo mundo quer conforto, um carro, uma casa, fazer uma viagem, isso é normal, acontece que as pessoas tornam isso o único objetivo de vida, e quando se deitam, sob a redoma da “felicidade” material conquistada, envolta na solidão que ela gerou, pergunta ao travesseiro: ‘Por que não sou feliz? ’ Porque materializou a felicidade. Repito, a felicidade nunca vai estar em coisas materiais, por mais que precisemos dessas coisas no dia a dia. A felicidade não é palpável, ela é sentida, perceptível, percebida, vivida no âmago.
Outro desapego é com relação às pessoas ruins, negativas. Não vou negar que esse eu pratico, embora Cristo tenha ensinado ‘a amar seus inimigos’, porque amar o amigo é fácil, mas confesso que ainda não evoluí a esse ponto, embora não guarde mágoas, só não consigo ficar perto de uma pessoa que pressinto que tenha aura ruim, ou que está me prejudicando, roubando minha energia. Tenho me desapegado de bastante pessoas, separando o joio do trigo, eu diria. Não tirando onda, tentei recuperar algumas, tentei fazer com que mudassem, por fim, a gente desiste.
E por fim, um desapego perigoso que as pessoas estão fazendo, estão se desapegando das outras, pura e simplesmente de graça. Egoísmo, falta de tempo, medo, concorrência? Ou tudo isso junto? Não sei. Acho que principalmente falta-nos sensibilidade, uma anteninha no coração. Às vezes, a pessoa perto da gente, até mesmo a quem amamos, está debilitada espiritualmente, confusa, perdida, com baixa autoestima, e a gente não percebe, e quanto mais a massacramos ou isolamos, mais a estamos perdendo. Diminuindo a pessoa, estamos diminuindo a nós mesmos, é preciso olhar no mesmo nível dessa pessoa, e não de cima para baixo, mas de frente, olhos nos olhos, e depois terminar a conversa com um longo abraço; abraço é aconchego, ao abraçar alguém, estamos transmitindo energia, estamos dizendo ‘conte comigo, estou aqui’. É preciso colocar essa pessoa no nosso patamar, puxando-a pela mão para que se erga, ou até mesmo descer momentaneamente ao nível dela para entendê-la melhor. Chicotes até dominam, mas palavras conquistam. O domínio do chicote é mentiroso, quem tem o outro sob domínio, na verdade não o tem, pois, para realmente ter, é preciso ver o sorriso no rosto do outro, o brilho nos olhos, a felicidade ou é repartida meio a meio, ou é enganosa. Já a pessoa conquistada, essa sim, está com a gente, em igualdade de condições, emocionais, espirituais, sorri junto em vez de abaixar a cabeça, caminha na mesma direção em vez de andar de costas. E aquele abraço, lá no início da conversa, onde um tinha mais energia que o outro, se tornará um abraço de igual para igual, não haverá mais dominador e dominado, forte e fraco, mas trocando energia, confiança, acolhida, estarão empatados, é como misturar meio copo d’água ao outro meio copo d‘água, num recipiente só. Não vamos nos desapegar das pessoas que amamos, não vamos desistir delas, pois estaremos desistindo de nós mesmos, porque quando amamos alguém, nos projetamos nelas, então, como desistir daquilo ou de quem chamamos de semelhante?
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( imagem James R. Eads and Chris McDaniel -pinterest )

quinta-feira, 6 de julho de 2017

CHAMA!


Vem com tua chama,
me chama para a cama, inflama
engole-me em teu vulcão
quero me encontrar na tua perdição.
Num labirinto do qual não quero mais sair;
só entrar,
até chegar a hora de a gente sorrir
nesse abraço, nesse laço
num gozo fatal.
Vem, meu bem, me faz imoral.
Vamos brincar de gangorra, de cavalgar, de vai e vem,
de entra e sai,
cúmplices nessa zorra, só nós dois, mais ninguém,
e pela noite a gente vai
é o desejo que determina,
e quando a gente pensa que termina
faz tudo de novo depois
e pede mais.. e mais.
Ah! Deliciosa essa chama que incendeia nossos ais!

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( imagem  google )

quarta-feira, 28 de junho de 2017

NOS TRILHOS COM DEUS!


Eu gosto muito de viajar de trem, seja por segurança, seja pela paisagem que eu gosto de apreciar desde criança, embora hoje depois do que fizeram com o Rio Doce, não me dá o mesmo prazer de olhar para ele, evito até de olhar. Há uns dois anos antes do desastre ambiental eu ia de BH para Ipatinga, e no meio do trajeto, saindo de uma cidade, o trem atropelou e matou um mendigo, isso atrasou a viagem em pouco mais de duas horas, até chegar perícia, polícia, socorro, representantes da empresa etc. A maioria das pessoas ficaram nervosas, impacientes, umas tinham compromissos, outras já são nervosas por si mesmas, e como o trem ficou desligado, a água de beber ficou quente, crianças chorando, os funcionários pedindo paciência a todos, quando uma senhora já meio idosa, sentada ao meu lado, mas no corredor, disse com voz meio forte: “Calma, gente. Pensem no pobre coitado que morreu. Nós vamos chegar em casa, atrasados, mas vamos... e esse coitado que nem casa devia ter? Isso pode ter sido um livramento para nós”. Troquei algumas palavras com ela concordando. Pois bem, a viagem seguiu, quando estávamos chegando a Ipatinga, nova interrupção; devido à fortes chuvas e ventos, uma árvore gigante havia caído, tomando os dois lados dos trilhos. O chefe do trem, foi passando pelos vagões, pedindo silêncio e informando: “ Mais uma vez peço paciência a vocês. A árvore que caiu é tão grande que dois homens não conseguem abraçá-la, será preciso guindaste para retirar, não dá para cortar com motosserra, vamos demorar bastante ainda aqui. Nós precisamos levantar as mãos para o céu e agradecer, pois, estive fazendo as contas, se a viagem estivesse no horário, o trem provavelmente seria atingido e quase certo que iria se descarrilhar, e seria uma tragédia. A vida daquele coitado salvou as nossas”. Nessa hora arrepiei, senti um calafrio demorado, dos pés à cabeça, lembrei-me do andarilho que talvez tenha morrido por nós. Era segunda-feira, e no domingo eu tinha visto um folheto da igreja com uma imagem de um mendigo deitado na sarjeta com a seguinte frase: “ERAS TU, SENHOR? ”. Já no domingo a imagem havia me tocado, mas não imaginei que voltaria à minha mente na segunda-feira, e de uma forma tão real, tão impactante. Passado o minuto de calafrio, olhei para o lado, aquela senhora estava me olhando, não sei por que, mas estava. Sorriu para mim, e disse: “Não falei? ”.
Provavelmente o mendigo não fez falta para ninguém, nem devia ter família, mas penso que ele foi colocado ali para salvar a vida de dezenas de pessoas. O trem que deveria chegar às 16:00h chegou quase 21:00h. Já deitado, lembrei-me do mendigo atropelado, e perguntei: “ “ERAS TU, SENHOR? ”
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( IMAGEM internet- youtube )

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A MIRAGEM.


Havia pouca luz no local, mal distinguia o ambiente em que eu estava: era meu quarto?... um bosque?... um pântano?... uma montanha?... ou mesmo uma rua escura qualquer? Um beco? Um labirinto? Não havia bichos, não havia ninguém, só eu naquele cenário, nem mesmo sons, nem vento. Nem sol, nem lua. Era como se eu estivesse num imenso vácuo. Só sei que não sei por quanto tempo eu estava ali, podiam ser minutos, horas, meses ou anos, minha mente estava tão sombria quanto o lugar. Também nada doía, afinal, nada sentia, apenas me intrigava a imagem que eu vi, ou quase vi, pois não consegui definir nem mesmo os contornos, a forma daquela sombra que passava ali. Por ora tive sensações, impressões, minha respiração acelerou, meu coração disparou quando tentou se aproximar de mim, mas me afastei arredio, aí sim, tive um pouco de medo mesmo sem motivo aparente, deve ser porque era algo estranho para mim. Fechei os olhos por segundos e abri para ver se conseguia focar no que via. Nada feito, parece que ficou ainda mais confusa a imagem, parece que meu ato de fechar os olhos a fez se desistir de se apresentar a mim... e foi se afastando... afastando, até quase sumir. Devagar, e sempre muito confuso, eu também dei de ombros, e quando estava a uma média distância, olhei para trás, e num flash foi quando consegui definir a imagem: a miragem que eu vi era a miragem do amor. Tentei acenar, pedindo que voltasse, mas a essa altura já se perdia na curva do tempo. Tudo bem, perdeu-se na curva do tempo, mas deixou a sensação de que poderá um dia voltar, e eu sei que o tempo é um círculo, ou um ciclo, e tudo pode acontecer a quem crê, quem sabe nesse dia estarei mais atento, menos arredio, e aquele flash vira luz permanente resplandecendo no meu olhar.
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( google )

quinta-feira, 15 de junho de 2017

COISAS LINDAS DE VER...


A gente não pode perder,
são coisas lindas de ver:
Mar balançando
beija-flor pairando
sol partindo
lua surgindo
sorriso de mulher
menino brincando
povo com fé
poesias num mural.
Jhonny abraçando o Zé
em amizade geral.
Existe algo mais bonito que uma joaninha num pé de ipê?
E um vaga-lume zombando do escuro?
A felicidade é real,
mas não está no óbvio, no concreto, em algum objeto.
O material é inseguro, morre triste,
o espiritual persiste.
Existe um mundo muito mais profundo,
não é porque é invisível que não existe.
Feliz o que vê,
mas mais feliz é aquele que antes dele crê,
pois, nas viagens que fez,
esteve lá primeiro,
e sorri mais uma vez,
ao ver que o abstrato é de fato
mais verdadeiro.

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( imagem 1wallpeper.net )

sexta-feira, 12 de maio de 2017

TEU SEMBLANTE




Sob teu semblante eu nasci.
Eu chorei e sorri.
Adormeci e acordei.
Adoeci e me curei
Caí e me levantei.
Sob teu semblante eu fui à escola
depois de penteares meus cabelos.
Sob teu semblante tornei-me um rapazola.
Não temi pesadelos
ampliei meus sonhos
superei desafios
corrigi desvios
venci obstáculos
desvencilhei-me dos tentáculos da vida
sob teu semblante sempre risonho
consegui fazer minha vida divertida.
Um dia sob meu semblante partistes
fostes para o jardim de Deus de onde saístes,
mas em mim ainda existe,
uma alegria que Deus me deu;
é que dizem por aí
que meu semblante se parece com o teu.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

NÃO ERA APENAS UM RAPAZ LATINO AMERICANO



Não posso deixar de homenagear esse grande artista, cantor e compositor de primeira linha. Um dos compositores preferidos, ou o preferido de Elis Regina, admirado por ninguém menos que Sivuca, um monstro como maestro e instrumentista. Fez parte  da trilha sonora da minha juventude, não é a toa que tenho no meu pendrive umas dez músicas dele. Gosto de artistas diferentes, e esse misturou rebeldia, blues,  folk, poesia, filosofia, com uma autenticidade como poucos.  É difícil ficar falando de um artista tão diverso, tão múltiplo, tão polivalente. A primeira vez que o vi na tevê,  em 1975 ou 76 por aí, minha mãe ( sempre ela ) correu ao meu quarto. “Vem cá, Carlos Vem ver um moço bonito cantando na televisão, uma música tão bonita”. Era o Belchior cantando APENAS  UM RAPAZ LATINO AMERICANO.
Belchior, não foi apenas um rapaz latino americano,  foi um dos maiores poetas latino americanos. Isolou-se como os gênios fazem. Como dizia Raul Seixas: "Os homens passam, as músicas ficam". Ainda bem que pelo menos as músicas ficam. Morrer faz parte da vida, triste e irônico isso, a gente até entende, ou finge que entende, mas o pior é o que está ficando pra gente. Estamos ficando órfãos.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

OS LOUCOS ME AMAM!





Dizem que loucura e genialidade estão muito próximas, se separam por um fio tênue, invisível, mas é fato sim, na própria história tivemos gênios que destoavam dos padrões da sociedade, alguns até excêntricos. Na vida comum conheci alguns também. Há uns dois anos queria contar isso, até deixei para lá, mas ao rever o personagem na semana passada, não resisti. Tem um rapaz, quase vizinho, pouco mais velho que eu, que transita facilmente nos dois lados, é muito inteligente, debate qualquer assunto, mas tem uns momentos extremados de loucura, afora isso tem vida normal, até trabalha fazendo seus bicos. De vez em quando para, e falamos por longo tempo, sobre cultura geral. As perguntas quase sempre as mesmas: “Tem escrevido muito? Quando vai publicar mais livros para nós? ”. Eu respondo, e ele emenda: “Isso aí! A cultura não pode parar”. Quando não pode conversar, passa numa bicicleta antiga, enorme, com corpo reto, nem me olha, apenas levanta o braço e diz: “Olá, poeta. Como vai? ”. Dei a ele, livros de coletâneas em que participo, e também meu livro solo de poesias; ele considera uma coisa do outro mundo ser meu amigo, já que sou “um poeeeta, um escritoooor”, como ele diz, até levantando a voz. Fica lendo meus poemas e interpretando em voz alta perto de mim. Certa vez, aconteceu um assassinato ali perto, o corpo ficou estirado na calçada por umas duas horas, até que chegasse polícia, perícia, rabecão etc, uma cena horrorosa, que eu, claro, não fui ver, mas vi a pequena multidão em volta. De repente chegou a imprensa local, e Edvaldo logo interceptou a repórter: “Ô moça... ô minha filha, vai filmar tragédia não, vem entrevistar o poeta aqui, um escritor. Melhor que ficar mostrando uma coisa feia dessa aí”. Ela ficou meio surpresa, riu um pouco sem entender nada, mas seguiu. Ele não se conformou, segurou no braço do cinegrafista: “Ô rapaz, faz isso não. Tem cultura aqui”. O cara riu: “Você tá doido? Me larga, tenho que fazer meu trabalho”. Pois Edvaldo foi atrás, a moça teve um pouco de dificuldade para fazer a matéria, pois ele falava ao lado quase aparecendo na câmera. Por fim, ele desistiu, e voltou indignado para perto de mim com o mesmo assunto: “É por isso que esse Brasil não anda, preferem mostrar tragédia do que cultura. Eu fico nervoso com essas coisas. Deixar de entrevistar um escritor para filmar uma porcaria dessas”. Eu falei consolando-o e controlando-o: “Liga não, Edvaldo. Nós sabemos que é assim, sempre foi assim, e não vai mudar”. E ele: “Tá bom... mas eu não me conformo”.
Nem estou falando de mim, ou por mim, mas pensando bem, até que ele não está errado.
Como eu disse acima, já conheci outros como ele, até mesmo na infância quando conheci um que tinha mesmo problema sério de cabeça, mas gostava de mim... dos meninos da rua, somente de mim. Acho que OS LOUCOS ME AMAM.

sábado, 15 de abril de 2017

SENTINDO-SE TRISTE!




Ontem passei  o dia sem por os pés na rua, o dia todo dormindo ou vendo tevê. Há muitos anos não fazia isso. Foi todo mundo para as igrejas e eu viajei... para dentro de mim. Passei um dia meio triste, não quis saber de nada, mal tomei uM café puro,  almocei muito pouco, nem mesmo a cervejinha que gosto muito nas folgas, e olha que a geladeira estava cheia. Estou em paz com Jesus Cristo,  embora eu  reconheça que não fiz tudo o que Ele pregou, mas sei que as principais eu fiz e faço que são a fraternidade e a justiça. Nos momentos em que não dormi, eu chorei. Graças a Deus eu chorei... porque sou humano, quando eu deixar de chorar, estarei morto em pé.
Sei lá, uma tristeza sem saber exatamente o porquê, uma vontade não sei de quê, uma saudade de não sei o quê, mas principalmente uma necessidade de colo para encostar a cabeça.  Talvez o melhor colo seria Ele, mas acho que ontem Ele precisava mais de mim do que eu Dele... porque Ele estava sofrendo. Enquanto vi  tevê, não assisti sequer uma cena de crucificação, não gosto. Desde pequeno me incomodava ver Jesus apanhando tanto, era uma coisa que não conseguia entender, é uma imagem negativa que  marcou minha infância;  então, em dias assim  não consigo ficar feliz, apesar de que o desfecho de tudo é  lindo, ou seja, a ressurreição é amanhã, é que não aprendi a achar covardia normal. Foi bom ter chorado, eu gosto de chorar, acho bonito homem que chora, renova a gente, principalmente após assistir o filme A CABANA, do qual falarei mais adiante, e que por coincidência o último filme que eu havia assistido no cinema, há uns dez anos foi  PAIXÃO DE CRISTO,  claro, tendo o cuidado de fechar os olhos nas cenas de violência. Hoje sábado, ainda choro mais um pouquinho, amanhã estarei feliz por causa da Ressureição, mas eu gostaria de estar feliz todos os dias, que não ficasse em nossos corações apenas o emblema do feriado. Opa, teclado molhando, melhor parar. Ouçam também a música que é linda... tão ou mais linda do que eu chorando.

sexta-feira, 31 de março de 2017

ESTÁ INSTITUÍDO O TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL!



Vou tentar ser rápido, embora o tema dá mesmo pano pra manga. O que  o governo pretende com as reformas trabalhista e da previdência é fazer um eterno rodízio de trabalhadores pagando FGTS sem que ninguém receba o benefício. Até mesmo se aposentar, poucos vão conseguir, por causa do avançado da idade, então o governo terá para sempre, nosso dinheiro à sua disposição para bancar obras ( que obras?), corrupção, as regalias dos políticos, a qualidade de vida da elite, dos empregadores, enfim. Isso de que a expectativa de vida aumentou, é conversa, aumentou, mas a gente quer desfrutar o resto dela, em paz, em conforto, depois de ter trabalhado tantos anos. Por partes: A reforma da previdência gera até desemprego., pois numa área de produção industrial, numa fábrica, quem tem mais  vigor físico, um homem de 60 ou um rapaz de 20? O rapaz de 20, é claro, mas a vaga dele está ocupada por um homem de 60, doidinho para se aposentar, mas não pode, porque não alcançou ainda a idade mínima. O pior ainda é que não é só questão de idade mínima, tem também o tempo mínimo de contribuição de 49 anos, ou seja, quem começa trabalhar aos 18, se ele der sorte de nunca sair do emprego, só vai receber aposentadoria integral  se ele se aposentar aos 67, simples 49 + 18 é igual 67. Mas quase ninguém fica a vida toda num emprego só, então se ele por um azar  for demitido aos 50 anos (as empresas farão isso de propósito, instruídas que estão pelo governo para fazerem atendendo ao rodízio), pode esquecer aposentadoria, pois, a empresa vai preferir dar emprego a um rapaz de 20, que por sua vez, vai aceitar qualquer salário,  quaisquer condições de trabalho, porque vai  ficar tentando vislumbrar sua aposentadoria  daí a 45 anos, então é melhor aceitar tudo. Esse rapaz não sabe, mas vai fazer parte do grande rodízio do governo, vai fazer 30, 40,50 anos também, mas sob o chicote do empregador, se sujeitando, vai passar a vida com medo de perder o emprego. Isso também vai gerar mão de obra barata, é tudo que o patrão quer, mas é um tiro no pé do próprio país, pois a mão de obra barata também é  uma  mão de obra ruim, mal qualificada. Ainda tem a tal terceirização que já estava embutida no pacote desde que falaram em reforma da previdência: os trabalhadores, aqueles mesmos que aceitaram qualquer salário para não perder emprego, não terão a quem recorrer para reclamar direitos trabalhistas, pensando bem, nem vão reclamar, pois terão sempre a sombra do desemprego e da não aposentadoria rondando suas cabeças. Esse terrorismo o governo já está fazendo, ameaçando, dizendo que ou faz as reformas ou o país para. As empresas que são maiores devedoras da previdência pertencem a vários políticos, têm clubes de futebol que devem até 500 milhões. O nosso décimo terceiro que a gente espera o ano todo também está na pauta desses vampiros, as pensões das viúvas também, enquanto os políticos têm até vale gás de 4.000,00 reais, tem deputado que gasta por mês 15.000,00 reais de correios, senadores com um ou dois mandatos, têm pensão vitalícia  e integral. Essa deveria ser a verdadeira reforma. Eu citei a indústria, a fábrica, mas tudo  isso que falei, se aplica em qualquer área trabalhista. Já existe projeto do próprio Temer acabando com direito de greve, mas isso virá com o tempo, essa ditadura disfarçada vai ser composta aos poucos. O Temer (oso), vulgo Conde Drácula, não vai estar lá daqui a 30, 40 anos, nem mesmo em 2018 estará, não vai concorrer, pois sabe que não ganha, mas será beneficiado com um alto cargo no governo por estar implantando o projeto de poder da elite brasileira. Vamos esquecer essa guerrinha  esquerda X direita que só favorece ao político, não pode ser povo contra povo, mas povo contra político. Todo mundo tem direito a opinião, mas a minha é: quem está achando boas as reformas trabalhistas e da previdência, ou é RICO ou é BURRO!
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Se você concorda comigo, compartilhe por favor. Não fiquemos inertes... enquanto podemos. Daqui a pouco vai ser tarde.

sábado, 25 de março de 2017

DESESCREVENDO POEMAS!




Um escritor das antigas, muito famoso, cujo nome não vou lembrar agora e nem vou pesquisar porque não ando com muita paciência, disse uma frase interessante: “O homem passa metade da vida escrevendo um livro, e a outra metade tentando consertá-lo”. Não sei o que ele quis dizer, talvez tenha escrito algo do qual se arrependeu, difícil entender, pois têm coisas que são pessoais do autor, embora ele escreva para o mundo. Por toda a minha vida, eu disse que aceito e acato meus poemas do jeito que eles vêm para mim, raramente  mudo alguma coisa, a não ser uma palavra que se encaixa melhor, uma rima mais sonora, uma simetria, mas normalmente, do jeito que vêm, transponho para o papel. Rasgar então, jamais eu faria (pelo menos era o que eu dizia), mesmo não gostando tanto de alguns poemas, porque eu os respeito, como luz que eu recebi, uma inspiração divina... continuo dizendo: ‘ O poeta não faz poesia, ele apenas a transpõe para o papel, ela está pronta em alguma dimensão, esperando que alguém lhe sirva de ponte. O poeta é essa ponte’. Ela desce do céu e se estabelece na terra, por isso tenho todo esse cuidado de não a ofender. É... mas acho que agora vou cometer uma heresia contra mim mesmo. Relendo a frase do autor acima, gostaria de voltar atrás e não ter  escrito alguns poemas... não que tenham ficado feios ou tristes, ou isso ou aquilo, de rimas tortas, assimétricos, esquisitos, sem lógica, surreais, enfim, não importa como tenham ficado, como já disse, gosto deles do jeito que eles são; Ora, se eu suporto o mundo do jeito que ele é, não suportaria meus poemas? Mas é que algumas pessoas que os levaram, não os mereceram, talvez nem os leiam mais.  As coisas são esquecidas facilmente, vão se perdendo nas gavetas do tempo. É a velha expressão  “jogar pérolas aos porcos”.  Porcos não sabem lidar com pérolas, nem ao menos sabem o valor delas. Às vezes tenho raiva de mim. Portanto, eu gostaria sim de voltar atrás, não para consertar meus livros publicados, mas o livro de minha vida. O problema é que rasgar folhas de papel é fácil, mas não é possível desescrever os poemas que um dia a gente fez... porque eles estão lá dentro da gente... e nunca mais vão sair. Que a fonte da poesia que está lá em cima perdoe minha heresia, mas hoje eu estou afim de rasgar poemas.
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Em tempo, a palavra  “desescrever”  existe? Existe, agora existe, eu inventei. A fonte da poesia falou que eu posso.